"O presidente da Ordem dos Arquitectos, João Rodeia, não está satisfeito com a forma como Manuel Salgado, vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, arrumou a polémica da concentração em apenas quatro autores de centenas de processos de licenciamento entre 2004 e 2007.
A questão foi levantada no relatório da sindicância aos serviços de Urbanismo e centrava-se no facto de o ranking dos arquitectos que mais projectos apresentaram à CML em 2006 ter à cabeça duas jovens (uma com 31 anos e outra com mais três ou quatro), ambas “com ligações familiares ou outras a antigos técnicos do município”. Para além destas recordistas, que subscreveram mais projectos do que ateliers com “dezenas de trabalhadores”, havia entre os dez primeiros dois octogenários, um deles que tem presentemente 84 anos.
De quem se fala?
De uma filha de um desenhador da CML já falecido e com dois familiares ao serviço da autarquia, que diz ter “muitos processos porque somos jovens e modestos e fazemos de tudo: legalizações, restaurantes, esplanadas, propriedades horizontais, pequenos trabalhos que pouco têm a ver com arquitectura.”
E o facto de o seu pai ter trabalhado no Urbanismo da câmara até há cinco anos e ter lá familiares não facilita, segundo a própria, de modo algum, a angariação de clientes e a aprovação dos projectos.
A outra técnica trabalhava para o atelier Newspace, do arquitecto Jorge Contreiras, que se demitiu da CML no decurso da sindicância e foi há pouco acusado de corrupção e outros crimes pelo Ministério Público, devido à sua intervenção em processos de várias empresas suas.
Quanto aos arquitectos octogenários, um deles confirmou que até há três anos assinava muitos projectos de restaurantes e bares – “coisas muitos simples” – que eram feitos por técnicos da CML que não os podiam assinar. “Não lhes levava nada, mas via se estava tudo bem”, salienta. “Além disso havia pelo menos um arquitecto na CML que falsificava a minha assinatura.” Segundo diz, o seu colega também octogenário “teve um AVC”, mas ainda continua a assinar por outros porque está na miséria”." (notícia completa aqui).
Eu continuo a dizer o mesmo de sempre. A fiscalização deve começar por cima.
E não vamos dizer que é a gestão de A ou B. Isto não é algo partidário, todos sabemos que o mesmo se passa em todas as autarquias, com maior ou menor gravidade, independentemente do partido que a lidera.
Quando começa a haver fumo, começam logo as coincidências.... um país tão idóneo, o nosso.
Neste país o que parece quase nunca é, e qualquer suspeita tem de ser obra de mentes maquiavélicas, ou pior, manipuladas.
As mesmas pessoas no mesmo sítio e à mesma hora. Pura coincidência. Neste país o que parece quase nunca é, e qualquer suspeita tem de ser obra de mentes maquiavélicas, ou pior, completamente manipuladas. E nos últimos tempos as coincidências parecem não ter fim. Senão vejamos. José Sócrates e Armando Vara falaram ao telefone sobre o negócio de compra da TVI. Estariam, o primeiro-ministro e o vice-presidente do maior banco privado português, entretanto suspenso, pessoalmente interessados no futuro de um canal de televisão privado, aquele que mais incomodava o Governo? Ou haveria naquela conversa informação privilegiada, já que um dos interlocutores era vice-presidente de um dos principais financiadores da Ongoing, que acabou por fechar a compra de uma participação significativa da estação de Queluz? Não, claro que não. Tratou-se apenas de uma conversa de amigos,uma inconsequente troca de impressões, pura coincidência. A Ongoing é um dos principais accionistas da Portugal Telecom, que tentou comprar aos espanhóis da Prisa a Media Capital, embora o negócio tenha acabado por ser travado por Sócrates. A Ongoing acabou por anunciar a concretização deste mesmo negócio, um dia depois das eleições legislativas que deram a vitória a José Sócrates, mas, claro, foi resultado de um mero encontro entre a oferta e a procura. No meio desta operação ficou também a saber-se que os fundos de pensões e de saúde da PT investiram dinheiro em sociedades veículos da Ongoing, mas que nem um cêntimo, garantiu a Ongoing, servirá para financiar a compra da Media Capital. Como o dinheiro é tanto fungível quanto divisível, estranho seria pensar o contrário. Não, a PT não financiou, ainda que indirectamente, o negócio de compra da Media Capital pela Ongoing. Nada de mal-entendidos.
E na Face Oculta, a quantidade de obras do acaso? Foram constituídos 15 arguidos por suspeitas de tráfico de influências e de corrupção, entre outros crimes; um deles, Manuel Godinho, foi detido e outros quatro já suspenderam as suas funções nas empresas públicas onde trabalhavam; os almoços, os encontros, os telefonemas escutados, os envelopes, as prendas, foram tudo meras coincidências ou esquemas inventados por gente ardilosa, com especial destaque para os investigadores do processo. Nada disto na Face Oculta faz sentido; aliás, os arguidos caem que nem tordos das suas empresas exclusivamente como prova sincera da sua seriedade e inocência. Neste país, os políticos e ex-titulares de cargos públicos passam para o sector privado sem que haja qualquer interesse dos primeiros na influência e no poder dos segundos. Quantos casos temos de ex-ministros que passaram a integrar os conselhos de administração de empresas privadas? Tantos... Mas que fique claro, é tudo uma questão de competência.
E o espaço não chega para mais coincidências, todas as que cabem num país de inocentes bem-intencionados, a de um país que afinal é tão pequenino que se está a tornar irrespirável.
por Sílvia De Oliveira, publicado no i de 10/11/2009

Lembro-me de ser miúdo e ver na tv a queda de um muro e a alegria de muitos com isso. Não percebi todo o peso que acompanhava tal gesto e o seu significado.
Hoje, quando se comemoram os 20 anos da queda do muro de Berlin, devemos ter presente todas as barreiras que continuam ou serão erguidas, um pouco por todo o mundo, não entrando portanto em euforias desenfreadas e injustificadas.
Irlanda do Norte, Iraque, EUA/México, Coreias, Malásia, Israel/Palestina, Arábia Saudita, Egipto, Russia/Tchechénia, Chipre, Omã, Irão, Espanha, ...
Ainda há um longo caminho a percorrer...
Comentei aqui, há uns tempos, a decisão de José Sócrates avançar com o casamento entre homossexuais, uma medida que, para todos os efeitos, não será prioritária para o quotidiano da grande maioria da população.
O que é de louvar é a notícia de hoje, em que o porta-voz do grupo de militantes socialistas católicos, Cláudio Anaia, desafiou José Sócrates a ter "coragem política" para avançar com um referendo sobre o casamento homossexual.
Anaia afirmou que "a posição do Governo no programa é muito subjectiva e vaga, por isso esperamos que o primeiro-ministro demonstre agora coragem pessoal e política para realizar um referendo nacional sobre este tema".
Independentemente do partido em questão, é sempre admirável quando alguém manifesta o seu desacordo, mostrando que nem todos se conformam.
Um aluno universitário é um consumidor como outro qualquer. Antes de escolher o percurso académico tem direito a ser informado sobre tudo o que o seu curso tem para oferecer. Desde o número de aulas que deverá ter até ao grau de empregabilidade, passando pelos custos que a licenciatura envolve, tudo tem de estar discriminado na hora do estudante decidir. Esta é a nova condição que o governo inglês quer oferecer a todos os candidatos. O ministro das Universidades, Peter Mandelson, apresenta amanhã o novo plano que define as prioridades para o ensino superior.
Notícia completa aqui.
Não esquecer que um consumidor deve ter acesso a um livro de reclamações, também.
Marcos Perestrello, o aparelhista chique do partido do governo, era há um ano vice-presidente da C.M.L, o primeiro depois de Costa. Há pouco mais de quinze dias protagonizou a candidatura do dito partido à câmara de Oeiras e foi eleito vereador. Agora é secretário de Estado da tropa ao lado do ministro S. Silva. A D. Dalila Araújo (quem?) era há um ano a governadora civil de Lisboa. Largou para ser candidata a vereadora de Costa e, como tal, foi eleita também há menos de quinze dias. É secretária de Estado de qualquer coisa. O sr. Vasco Franco, quase eterno vereador da habitação da C.M.L nos tempos de Sampaio e do Joãozinho, foi retirado ao jazigo de família para ser secretário de Estado de outra coisa qualquer. Regresso, pois, à frase inicial.
Texto completo aqui.

Duas famílias da comunidade cigana desentenderam-se à porta da Escola Básica n.o 175, em Lisboa. A discussão atravessou os portões e entrou no pátio do estabelecimento de ensino dos Olivais. Dos insultos passou-se à agressão, da agressão passou--se às armas, que não chegaram a disparar, mas levaram a PSP a intervir para proteger as crianças do primeiro ciclo e do jardim-de-infância.
Dentro da sala, a maioria das crianças não se senta no seu lugar, apesar de a professora repetir vezes sem conta que estejam quietos. Falam uns com os outros, recusam-se a fazer as tarefas, sentam-se em grupos na mesma carteira, agarram na mochila e saem da sala quando lhes apetece: "Sou firme quando é preciso, mas tenho de medir sempre muito bem o que digo e o que faço." Um gesto mal interpretado é suficiente para ter os pais das crianças à porta da escola a exigirem explicações
"A minha frustração prende-se sobretudo com os poucos alunos que querem aprender, mas não têm condições para isso."
A indisciplina fora e dentro das salas começou há quatro anos, com o realojamento da comunidade cigana na urbanização social Alfredo Bensaúde. No ano lectivo de 2005/06, a direcção do agrupamento foi surpreendida com a chegada de cerca de 80 alunos que, pela primeira vez, começaram a frequentar a escola como contrapartida para as famílias beneficiarem do rendimento de reinserção social: "Muitos deles tinham 12 e 13 anos e não faziam ideia do que era uma escola", conta Elsa Mota, dirigente da associação de pais.
"A maioria do corpo docente concorreu no ano passado para outras escolas e foi embora", ... há quatro anos a escola não estava preparada para lidar com uma "cultura sem tradição de escola".
No ano seguinte, a escola candidatou-se ao programa TEIP e solicitou ao Ministério da Educação meios para avançar com um plano que visa integrar as crianças ciganas: "A primeira medida passou por introduzir segurança dentro da escola."
publicado no i. Notícia completa aqui.
Acho que as autoridades têm colocado o problema ao contrário, pois este parte dos pais, não das crianças. De que vale "despejar", neste caso, 80 crianças numa escola, quando os pais não dão qualquer valor ao que é aprendido e só fazem com que as mesmas frequentem a escola pois, caso tal não aconteça, na grande maioria dos casos perderão o acesso a determinados rendimentos..?
E se a continuação dos subsídios dependesse das notas do(s) filho(s) na escola, para além da sua frequência..? Não passariam os pais a dar mais valor à educação, querendo que os filhos se integrassem e se aplicassem na escola..?

Centro Cultural de Cascais | 30 de Outubro de 2009
Programa e mais informações aqui.
88% dos portugueses acham que a pobreza está disseminada no país, com 41% a afirmar que aumentou "muito" nos últimos anos.
62% afimam que o orçamento familiar mal chega para satisfazer as suas necessidades e 15% que "é difícil" viver com o que se tem. 1/5 acha que o seu rendimento chega perfeitamente.
O relatório final, encomendado pelo Comissão Europeia, só será divulgado em Novembro, mas conhecem-se já alguns números.
89% dos europeus afirmam que o combate à pobreza deve merecer uma acção urgente por parte dos governos. 61% dos portugueses dizem que o desemprego é a principal razão da pobreza, com 27% a culparem as prestações sociais insuficientes e pensões baixas. Cerca de 50% refere também os baixos salários.
80 milhões de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza na União Europeia. 1.8 milhões são portuguesas. 18% da nossa população.
Isto quando as instituições de solidariedade se manifestam contra a "solução" do Rendimento Social de Inserção, defendendo a revitalização da economia e na consequente criação de postos de trabalho.
O Estado Social parece, cada vez mais, estar condenado ao fracasso.
(Imagem: rua Garret, Chiado, Lisboa.)

O Público noticía hoje que há quarenta mil idosos a passar fome em Portugal.
Como se isso não fosse suficientemente preocupante por si só, o estudo diz-nos também que, para 64% dos inquiridos, o preço é o factor que mais decide a escolha”.
76% têm “hábitos alimentares pouco saudáveis, os quais pioram com o avançar da idade”.
1/4 afirma ter uma alimentação saudável (se bem que qualquer pessoa com uma avô/avó saberá o que isso significa), mas o estudo aponta que 95% não têm uma dieta equilibrada..
1/5 passa dificuldades financeiras.
3% passou fome na semana anterior a responderem ao inquérito, devido a problemas dentários (35%), dificuldades económicas (24%), falta de apetite (13%) e medicamentos (12%).
O romper com o passado tem que ver precisamente com a necessidade de acabar com o paradigma de que a terceira idade é um sector completamente excluído da sociedade e que nada "produz".. é irónico como, quando sabemos que vai ser preciso uma “revolução” para lidar com o aumento populacional, não saibamos lidar com os problemas actuais.

Primeiro lince-ibérico já está a caminho de Portugal .
É uma notícia agridoce porque estamos a reintroduzir uma espécie que existiu em abudância no nosso país mas que está hoje extinta, existindo apenas em Espanha. O êxito da reintrodução no nosso país depende agora de todos nós e, aparentemente, da abundância de coelhos.
Mais informações sobre o quase-extinto lince ibérico aqui.
O i noticía hoje que o PSD deverá dar liberdade de voto aos seus deputados em relação ao casamento gay, de acordo com a sua linha de actuação em "questões de consciência".
Os outros partidos deverão seguir a sua linha habitual: CDS contra e BE e PCP a favor, se bem que este último esteja a adoptar uma política de suspense caricata, afirmando que não faz para já quaisquer declarações.
O que me choca não é a temática em si, mas sim a questão da liberdade de voto nos deputados. Faz algum sentido não haver liberdade de voto, independentemente da temática..?
Para quê ter 230 deputados que seguem instruções, sem questionar absolutamente nada..? Não bastaria ter 5, um de cada partido..?
Quando faltam 41 dias para a Cimeira de Copenhaga em que se espera que 190 nações encontrem um substituto para o Protocolo de Quioto, Yvo de Boer, responsável máximo pela Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC) veio sugerir que os países em desenvolvimento devem também diminuir as suas emissões em cerca de 15% até 2020, de modo a que os países desenvolvidos acedam aos pedidos de diminuição das emissões de 25 a 40%.
Um dos grandes entraves às negociações é precisamente a disputa entre os países desenvolvidos e os em vias de desenvolvimento. De Boer há já muito que afirma que é preciso um acordo equilibrado, de modo a que não exista qualquer desconfiança ou suspeita. O facto é que as negociações arrastam-se e não parece ser muito fácil mudar tal rumo.
O facto é que o ambiente continua a ser um tópico perante o qual muitos olham para o lado, mesmo sabendo que o ritmo de destruição de florestas equivale a 36 campos de futebol por minuto. Vivemos num mundo em que as grandes corporações continuam com esquemas inteligentes para conseguir poluir e lucrar mais. E tudo de uma forma desiquilibrada e puramente egoísta.
Assim, queira deixar-vos 2 vídeos para reflexão.
O 1º são as declarações finais de Yvo de Boer na Cimeira de Bangkok, no início do mês. Tive oportunidade de trabalhar com ele durante 3 mês e asseguro-vos que a tristeza dele é verdadeira.
O 2º é um vídeo chamado "the Bill" e foi um dos vencedores de um concurso de vídeos promovido pela Germanwatch sobre "justiça ambiental". São 4 minutos fantásticos.
Porque a mudança começa em nós próprios.
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